​Por: [Carlos Barroso]Sábado, 17 de Janeiro de 2026

​Uma bomba relógio está prestes a explodir na segurança pública do Maranhão. Enquanto a capital discute estatísticas, o interior do estado vive um cenário de "apagão" investigativo. Um alerta contundente emitido pela Associação dos Delegados de Polícia Civil (ADEPOLMA) revela que, devido a uma falha sistêmica e falta de investimentos, delegados de polícia estão conseguindo atuar em suas cidades de lotação apenas 9 dias por mês.

​A Matemática do Abandono

​O estado possui aproximadamente 200 delegados para atender uma população de mais de 5,3 milhões de pessoas no interior. Para cobrir o buraco no efetivo, a gestão impõe escalas de plantão de 72 horas ininterruptas nos fins de semana e plantões noturnos mesorregionais.

​Pela lei, esse esforço gera folgas compensatórias obrigatórias. O resultado é um paradoxo: para manter um plantão regional funcionando, o Estado retira o delegado de sua delegacia de origem em dias úteis, paralisando investigações, o atendimento ao público e o combate ao crime local.

​O Caso Pedreiras: Risco de Fechamento

​Se os números gerais assustam, o caso da Regional de Pedreiras é o retrato vivo do desespero. Responsável por 15 municípios, a regional no mês de janeiro de 2026 vem operando com apenas quatro delegados.

​Relatos exclusivos obtidos pela nossa reportagem apontam uma situação insustentável:

​Exaustão Extrema: os profissionais estão sem conseguir gozar folgas, simplesmente porque não há quem os substitua.

​Delegacias Fantasmas: Nas últimas semanas, a sede da Regional contou com apenas um delegado. Com a escala de plantões e folgas, Pedreiras corre o risco real de passar até três dias sem nenhum delegado na sede.

​Trabalho Precário: Sem verba para diárias, delegados são forçados a realizar plantões de forma remota, usando seus próprios celulares para atender ocorrências de cidades a centenas de quilômetros de distância.

​Lei Maria da Penha: Uma Promessa Vazia?

A delegacia Especial da Mulher de Pedreiras não possui escrivão de polícia civil, nem mesmo investigadores e vem funcionando apenas com uma delegada de polícia que vem realizando um trabalho diferenciado apesar das dificuldades.

​O maior prejuízo recai sobre as mulheres. Em uma região com 15 cidades dependendo de um único profissional (ou de um atendimento via telefone), a aplicação da Lei Maria da Penha torna-se uma ficção jurídica.

​Como garantir medidas protetivas de urgência ou o acolhimento de uma vítima de estupro se a autoridade policial não está fisicamente presente ou está sobrecarregada atendendo 40 municípios simultaneamente? A falta de efetivo no Maranhão não é apenas um problema administrativo; é um facilitador para o feminicídio.

​O Clamor por Solução

​A diretoria da ADEPOLMA e os profissionais da ponta são unânimes: o sistema chegou ao seu limite. A "doideira" — como descrevem os próprios policiais — só será resolvida com a publicação imediata de um novo edital de concurso público e investimentos reais em estrutura.

​A sociedade maranhense, o Ministério Público e o Judiciário não podem mais ignorar: o interior do Maranhão está operando no improviso, e o preço dessa negligência está sendo pago com a insegurança e a vida da população.

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