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Em 2020 e 2022 a disputa será entre esquerda e direita

Pensar Piauí

Estamos em 2019, mas alguns acontecimentos têm pouco a ver com esta data, eles têm muito mais a ver com as eleições municipais de 2020 e com as eleições de 2022 para governo do Estado e para a presidência da República.





Estas eleições de 2020 e 2022 não serão disputados por partidos políticos (PT, MDB, PSDB, PROGRESSISTAS, PSL). São eleições que serão disputadas entre a direita e a esquerda.





A direita tem o seu grande capitão, que é o presidente da República Jair Bolsonaro, Bolsonaro quer, nas eleições municipais, eleger o maior número de prefeitos de capitais e grandes cidades possíveis, e, avançar nas pequenas cidades. Este é o projeto do capitão. Mas Bolsonaro tem também a intenção da reeleição em 2022.





No campo da esquerda ainda muita indefinição. Seu grande nome - Luis Inácio Lula da Silva - é uma incógnita, por conta da sua condição de candidatura. Se pleiteia a liberdade do Lula e os seus direitos políticos e eleitorais, mas não se tem garantia de sucesso.





Não sendo o Lula, o PT tem Fernando Haddad e outros nomes. Há também em outros seguimentos da esquerda, como no PCdoB, com Flavio Dino e, no PSOL, com Boulos, nomes que podem disputar a eleição de 2022. A esquerda precisa se organizar e elaborar um programa de governo para apresentar à sociedade. Na direita há mais que o nome do Bolsonaro. João Doria quer ser candidato, Sergio Moro quer ser candidato, Luciano Huck quer ser candidato. Mas, as atenções estão voltadas para Jair Bolsonaro, que entre outras coisas tem a caneta na mão e, por isso, é o principal candidato da direita.





Esta eleição se disputa por um viés político ideológico (embora Bolsonaro sempre negue sua ideologia): quem é a favor da barbárie, quem é a favor de processos civilizatórios?; quem é a favor do mercado, quem é a favor do trabalhador?. É assim que se dará a eleição de 2020 e a de 2022.





A situação da esquerda é preocupante. Por que? Porque em 2018 este campo ficou representado por governadores eleitos no Nordeste brasileiro. A esquerda nesta região tem o domínio político. E esta esquerda dá um bom exemplo através do Consorcio de Governadores do Nordeste – uma ação inovadora, que mostra preocupação com o administrar da coisa pública. Mas aqui ou acolá se vê alguns escorregões de governadores da esquerda, e daí resulta a preocupação. Por que?





A resposta vem com um exemplo de Bolsonaro. Ele hegemonizou o campo da direita, quando candidato, assumiu com radicalidade as teses da direita e foi para o confronto. Ali ele galvanizou o eleitorado do Meireles, e principalmente o eleitorado do PSDB, que tinham no Alckmin seu candidato, mas que portador de dubiedades, perdeu eleitores para Bolsonaro.





Noto a esquerda vacilante com relação a defesa de alguns temas. A pouco tempo debateu-se a reforma da previdência aprovada pela Câmara (com votos contrários do PT e PCdoB) e muitos governadores de esquerda assumindo a bandeira desta reforma. Mais recentemente, o governador da Bahia, Rui Costa, deu entrevista a revista Veja e admitiu que a bandeira Lula Livre não precisa ser imposta como clausula de acordo. Mas o que é a bandeira Lula Livre? É a liberdade do cidadão Luis Inácio Lula da Silva? É! Mas significa muito mais. Lula Livre significa a democracia, o estado democrático de direito, significa a presunção da inocência. Então a bandeira Lula Livre é condição “sine qua non” em acertos políticos.





Outro governador do PT, Camilo Santana, que comanda o Ceará, fez loas ao projeto anticrime do ex-juiz Sergio Moro. Projeto que valoriza o uso da força em detrimento da inteligência no combate ao crime. Um projeto que permite que o policial mate e fique imune a um processo investigativo.





É inadmissível que representantes da esquerda vacilem na discussão de importantes temas que perpassam a vida do brasileiro.





Essa semana o governo do Piauí viveu momentos que servem de exemplo de como se dará a disputa política de 2020 e 2022. O comando da Nação foi privatizado não mão de uma família com fortes ligações com grupos milicianos e envolvida por demais com corrupção. É o exercício de importantes cargos públicos que faz essa família sobreviver e se livrar de condenações judiciais. E no comando da Nação está trazendo o absolutismo de volta. O Estado agora, são eles.





Portanto, não pode haver vacilo, no campo da esquerda, com relação a este embate que era para ser só em 2020 e 2022, mas já acontece agora em 2019.





A esquerda não chegou ao poder para administrar as crises capitalistas. Ela chegou lá para a intransigente defesa da democracia, do estado democrático de direito, dos trabalhadores, dos excluídos, do povo pobre deste país. E tem que fazer isto com firmeza de propósitos!

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