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Carlos Macedo / Agencia RBS
O jornalista Paulo Henrique Amorim morreu na madrugada desta quarta-feira (10), aos 77 anos, no Rio de Janeiro. Ele foi vítima de um infarto fulminante. O anúncio da morte foi feito pelo programa SP no Ar, da TV Record, emissora onde o jornalista atuava desde 2003.

Amorim estreou aos 19 anos no jornal A Noite, do Rio de Janeiro, em 1961. Foi correspondente internacional em Nova York da revista Realidade e também da Veja. Ainda nos Estados Unidos, trabalhou para a extinta TV Manchete e, posteriormente, para a Globo. 

A experiência na TV fez com que circulasse pelas emissoras mais importantes do país. 
Na Band, apresentou o Jornal da Band e o programa Fogo Cruzado, entre 1996 e 1998. 
Em seguida, foi para a TV Cultura, onde comandou o talk show Conversa Afiada, que posteriormente também viraria o nome do blog que manteve até o último dia de vida. 

De temperamento forte e opiniões contundentes, Amorim chegou a ser condenando por injúria e difamação por algumas figuras públicas, como os jornalistas Merval Pereira e Ali Kamel e o ministro Gilmar Mendes. Nos livros O Quarto Poder - Uma Outra História (2015) e Manual Inútil da Televisão e Outros Bichos Curiosos (2016) conta histórias dos bastidores das principais redações do Brasil e a influência desses veículos nos processos políticos, além das próprias experiências como jornalista. 

Seu último trabalho formal na televisão foi apresentando o Domingo Espetacular, na Record, onde esteve por 16 anos ininterruptos — até ser afastado da emissora em junho. De acordo com a coluna do jornalista Daniel Castro no Uol, o afastamento de Amorim teria ocorrido em razão de suas críticas ao governo de Jair Bolsonaro no Conversa Afiada. Os últimos textos, publicados nos dias 9 e 10 de julho, são sobre a liberação de emendas parlamentares de cerca de R$ 2,6 bilhões por parte do governo federal e o primeiro áudio divulgado pelo site The Intercept em que aparece a voz do procurador da Lava-Jato Deltan Dallagnol. A Record negou que o afastamento do jornalista tivesse motivos políticos. Seu contrato com a emissora se encerraria apenas em 2021. 

Colunista do jornal O Globo, Bernardo Mello Franco fez uma homenagem a Amorim no Twitter lembrado de um momento do jornalista à frente da TV. "Brasil, 1990. Na cobertura ao vivo do Plano Collor, Joelmir Beting pergunta se o salário de quem ganhava mais de 
50 mil cruzados novos estava bloqueado. Paulo Henrique Amorim confirma, pega na mão do comentarista e brinca: 'Acho que te dei uma má notícia'", recordou Franco, publicando o trecho do vídeo citado.
Autor da biografia Marighella - O Guerrilheiro que Incendiou o Mundo (2012), o jornalista Mário Magalhães, que passou pelas redações de jornais como O Globo e Folha de S.Paulo, destacou o comportamento audacioso de Amorim na profissão. "Foi, sobretudo, um jornalista corajoso. Na hora em que ele parte, num momento tão dramático para o Brasil e o jornalismo brasileiro, reverencio sua memória com um vídeo dele, de dezembro de 2017, em defesa da liberdade de expressão", escreveu Magalhães. 

No vídeo, Amorim recorda seu passado humilde e seu início no jornalismo para fazer uma defesa da liberdade de expressão no Brasil. 

— Num país de tantos corruptos, posso explicar cada centavo da minha renda. Nas redes sociais, num blog, no YouTube, comecei uma renovada etapa da minha carreira profissional. É como eu se estivesse no início, de novo. E por causa dela, sou vítima de dezenas de processos judiciais por supostos delitos de opinião. A Constituição Brasileira não protege jornalistas independentes como eu e dezenas de outros. Na teoria, a Constituição Brasileira protege a liberdade de expressão, mas na prática, há uma falha sistêmica — disse. 
Paulo Henrique Amorim deixa filha e mulher, a jornalista Geórgia Pinheiro. Ainda não há informações sobre o velório. 

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